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Cultura Vampyrica

Propaganda Magazine: Fred H.Berger e a Estética do Mal quando o gótico foi algo que deveria acontecer!

Por · 01 de Julho de 2015

_Fred Berger é uma espécie de herói pessoal ao qual venero desde 1993 quando tive a oportunidade de ver alguns exemplares de Propaganda Magazine.Sim, me inspirei em suas criações e com certeza foi lá que achei sustentação para o The MaozoleuM e atualmente a RedeVamp. Seu trabalho fotojornalístico estabeleceu a didática visual do Gótico Contemporâneo. Nada de subculturas e subculturíces. Foi o olhar dele e o tom de Propaganda que estabeleceram o recorte cultural e que cristalizaram tal repertório imaginário e foram suas adições que formaram aquilo que temos hoje. As coisas não mudam, só vão ficando mais elas mesmas.Pessoas gostam deste universo simbólico e aderem as suas tendências e adoram pessoas afins e de gostos convergentes – dispensam cartilhas e regras de estabilishment stalinista de alguns locais, visto que todo lance é estético e pautado no fruto proibido, a estética do mal. Minha gratidão a Marco e Luna Revisões por mais esta tradução que compartilhamos agora com todos vocês,originalmente publicada em Dangerous Minds._

Fundado em 1982 pelo fotógrafo nova-iorquino, Fred H. Berger, a revista Propaganda foi, até sua edição final em 2002, a crônica mais popular e longa da subcultura gótica nos Estados Unidos. De sua infância, como um fanzine punk, cresceu em escopo, cobrindo as obsessões esotéricas de seus “Ministros da Propaganda” – pós-punk, death rock, moda de fetiche, modificação corporal, BDSM, vampirismo, literatura de horror, androginismo e paganismo foram todos jogados em caldeirão fervente. Com o tempo, estas influências díspares foram codificadas no que conhecemos hoje como cultura “gótica”. Nunca nomeando a si mesmo de “gótico” zine per si. _Propaganda_ teve muita relação com o desenvolvimento da estética gótica quanto qualquer banda assustadora vestindo preto que possa se importar em nomear.

A Bíblia Gótica: Um Compêndio por uma Inclinado Sombrio, de Nancy Kilpatrick , chamou _Propaganda_ de “a única publicação da subcultura conhecida por apenas todo gótico no planeta” por uma boa razão. Sua importância para a cena não é exagerada. De fato, pode-se afirmar que o gótico _tinha que acontecer_ com _Propaganda_ agindo como um espelho de de duas faces, projetando e refletindo a música melancólica, moda, arte e literatura de sua audiência pós-Guerra Fria.

Não descobri _Propaganda Magazine_ até o começo dos anos 90, quando parecia estar em _todo lugar_. Me lembro que, naquele tempo, estar impressionando que uma revista tão especificamente visada para a relativamente pequena subcultura, estava aparecendo em grandes bancas e livrarias, mesmo na pequena cidade da Califórnia do Sul que eu vivia. Esta era uma era antes da internet, quando obter qualquer distribuição significante seria uma guerra constante. Os modelos em _Propaganda_ me pareciam, naquela época, ser as pessoas mais glamorosas (depressivamente) do planeta.

Fui capaz de rastrear o homem por trás de muitas destas imagens, Fred Berger em pessoa, para falar sobre a revista, sua história e legado. E onde a subcultura gótica foi no mundo pós-_Propaganda Magazine._

A revista Propaganda Magazine, desde suas primeiras edições, cobriu a música punk e pós-punk, assim como alternativa – que pode ser descrita como moda “fetiche”. Você testemunhou e registrou o que se tornou o berço do “gótico” como conhecemos hoje, quando deve ter ficado sob o guarda-chuva do “pós-punk”, “novo romântico” ou “death rock”. Em que ponto considerou que as formas díspares de música, literatura, arte e moda poderiam se unir para forma o “gótico”?

Fred H. Berger: Descobri o gótico quando vi Bauhaus no filme vampírico _“Fome de Viver”_ em 1983. Dois anos antes disso, _Propaganda_ era uma fanzine de punk hardcore. A primeira edição gótica foi a n. 3, Verão de 1984. Não era chamada de “gótico” – apenas “underground” ou “darkwave”. O termo “gótico”, se não me engano, não surgiu de modo amplo até o final de 1984, e era aplicado a bandas como Bauhaus, Sisters of Mercy e Siouxsie and the Banshees. Apesar de Andrew Eldritch, do The Sisters of Mercy, ter dito “Nós não somos uma banda gótica”, e Siouzxsie ter falado “Não existe tal coisa como gótico”. Acredito que não queriam ser rotulados, prefiram ser o que quer que queiram ser, algo que posso entender completamente.

Nos anos 80, _Propaganda_ cobriu a cena de clubes undergrounds de Nova Iorque, que tinha destacava em sua maioria bandas europeias – primariamente britânicas, mas também holandesas e alemãs, como Clan of Xymox e Xmal Deutschlandwich, que era darkwave – não gótico. E os clubes undergrounds de Nova Iorque como Danceteria, The Cat Club e The World destacavam mais shows de moda e performance artística que bandas, e muito disto eram fetiche e variedades de vanguarda. Claro, era experimental, bizarro e sombrio, mas não era realmente gótico no modo melodramático e vampírico. O gótico americano cresceu com na Costa Oeste com as bandas de death rock, como Christian Death e London After midnight. Não entrei em contato com isto até 1989, quando a cena alternativa de Nova Iorque estava fragmentada e com mais pessoas envolvidas, em cenas de raves e club kids (_n.e.: club kids foram um grupo de jovens personalidades da cidade de Nova Iorque que frequentavam clubes_) que não possuía interesse em participar.

Eu estava de algum modo ciente do que acontecia em L.A., e fui para o oeste ver o que era tudo aquilo. E foi aí que _Propaganda_ se tornou imersa no que você pode chamar “gótico” no mais puro sentido do termo – ankhs e rosários, rendas negras e veludo, capas e espartilhos – era uma cena saída diretamente do romance Lestat. E era inteiramente sobre bandas, contra a preocupação de Nova Iorque com arte e moda. O maior clube gótico de L.A. foi o Helter Skelter, em São Diego foi o Soil, e em São Francisco a House of Usher. Em 1982, tinha ido a todos e visto que existia um estilo distinto de gótica da Califórnia, em oposição a variedade mais vanguardista e fetichista de Nova Iorque, assim como da cena de Batcaverna de Londres, que era fortemente influenciada pelo punk. _Propaganda_ cobriu a cena da Costa Oeste tão extensivamente que em meados dos anos 90, todo o país adotou a mesma como a quintessência da versão americana do gótico.

Edição um a cinco de Propaganda Magazine, traçando a transição da cobertura do punk ao que viria se tornar o “gótico”

Quanto ao desenvolvimento da “cultura gótica”, quanto crédito você toma por criar um sistema de resposta que codificou os princípios desta cultura? Obviamente você estava seguinte seus próprios interesses. Quando destes registros se refletiram em termos de estreitar o que significava ser um “gótico”?

FHB:_Propaganda_ registrou os movimentos punk, gótico e industrial de maneira seletiva, de acordo com meu gosto e interesse pessoal, e também introduzindo certos elementos baseados em critérios subjetivos. David Bowie, e o glitter rock dos anos 70, introduziu a androginia para mim, algo que foquei extensamente através dos quase 20 anos de existência de _Propaganda_. O ideal que eu buscava, e também fabriquei até certo ponto, foi do gênero ambíguo, doloroso, fino e criaturas de palidez fantasmagórica, baseadas em Ziggy Stardust, mas com uma persuasão mais sinistra e sombria. Esta escuridão que se tornaria a raiz de certos tabus, como o vampirismo, demonismo, fetichismo, homossexualidade e Nazismo – coisas que iriam balançar a sociedade dominante. Mas que era mais sobre a estética do mal (“fruto proibido” se preferir) do que sobre a prática do mesmo. Pensava que o mal possuía uma borda estilística e sensual sobre a virtude, mas pessoalmente sempre vivi pela Lei de Ouro do “fazer aos outros o que gostaria que fizessem a você”. _Propaganda_ nunca advogou o Satanismo, ocultismo, Nazismo, sadomasoquismo ou homossexualidade, mas isto não impediu que pessoas fizessem acusações neste sentido.

Sendo um esteta, vejo tudo a partir de um ponto de vista estilístico, mas as pessoas não acostumadas costumam colocar muito significado político e filosófico neste imaginário. Eu proclamo minha inocência no que concerne qualquer agenda além da arte, mas existem aqueles que nunca irão aceitar minha defesa da “licença artística”. Mesmo assim, _Propaganda_ foi a maior, mais popular e influente publicação gótica, industrial, pós-punk nos Estados Unidos durante dos anos 80 e 90. Foi levada para importante redes de lojas e analisadas em revistas e jornais de grande circulação. Claros, alguns se ofenderam, e falaram muito sobre, mas para a maior parte, _Propaganda_ era vista como iconoclasta e artística, e não diretamente associada com qualquer “ismo” maligno da qual era referenciada para efeitos dramáticos.

FHB: Bem, “minha” estética pessoal era composta de uma amalgama de diferentes influências, que podem ser descritas em termos cinematográficos como uma confluência de _“O Porteiro da Noite”_(1974), _“Mad Max 2, A Caçada Continua”_ (1982) e _“Fome de Viver”_ (1983). Nunca tive a intenção de determinar o que o “uniforme” deveria ser; estava apenas filmando registrando o que gostava e apenas pegou. Não estava realmente consciente do fato de que meu trabalho estava tendo tanto efeito no visual gótico-industrial, mas ocasionalmente alguém me dizia “você criou o visual gótico”, ou “ _Propaganda_ determinou o estilo”. Porém em sua maioria, estes comentários caíam em ouvidos surdos, pois estava sempre absorto para elogios (e críticas), sendo mais introspectivo do que reativo.

Mas quando a grande mídia começou a me dar crédito por praticamente fundar o movimento gótico, decidi mudar a direção e optei por uma crescente sensibilidade chique, heroica, com fetiche e queer. O que aconteceu no meio dos anos 90 e permaneceu como a estética básica de _Propaganda_ até o encerramento da revista em 2003, e do site em 2005. Continuei o trabalho com publicações nos campos do queer e fetiche até 2012, mas parei e finalmente percebi que todos são fotógrafos e escritores agora, cortesia do mundo conectado 24 horas por dia por blogs, mídias sociais e compartilhamento de arquivos. Onde toda a propriedade intelectual é considerada domínio público e ninguém quer pagar por mais nada.

_Propaganda_****parecia onipresente no final dos anos 80 e começo dos 90. A revista teve uma contribuição incrível por ter sido engrenada para uma subcultura muitos específica e relativamente pequena. Como foi capaz de conseguir tal vasto alcance? Quanto da sua audiência consumidora suspeita que eram vouyeurs culturais?

FHB:_Propaganda nasceu_ como na revolução dos zines do começo da década de 80, quando tudo que precisava eram algumas poucas centenas de dólares para começar uma revista. A primeira edição foi impressa de apenas 300 cópias, mas na década de90, a impressão de _Propaganda_ alcançou cerca de 22.000 cópias. Não parece muito, mas a revista possuía uma distribuição incrível – parecia estar em todos os lugares que precisava estar- faculdades hippies, cidades e centros urbanos, subúrbios afluentes e até mesmo nos bolsos de jovens alienados em campos rurais isolados – tipicamente 80 a 90% por edição, o que era o dobro da média de outras revistas voltadas para o estilo de vida e músicas orientadas a jovens. _Propaganda_ tinha um culto seguidor muito forte, e muitos fãs preservaram suas cópias em plásticos até o dia de hoje, e usualmente se referem a elas como “relíquias sagradas”. Este status de culto também é aplicado aos videozines de _Propaganda_ , 10.000 das quais foram vendidos no começo dos anos 90 até o começo dos anos 2000.

Todos o murmúrio sobre isto era acentuado por numerosas chamadas de festas nos principais clubes góticos-industriais, que coletiva