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  • Uma Curiosa Lenda dos Índios Brasileiros [de Shirlei Massapust]

    Jean Chevalier e Alain Gheerbrant escreveram no verbete “morcego” do Dicionário de Símbolos que “para os tupinambás, o fim do mundo será precedido pela desaparição do Sol, devorado por um morcego”[1]. Em nota eles informaram que tal informação foi extraída do livro La religion des Tupinamba (1928). Procurei a referência citada e achei isto na tradução brasileira:

    Certa estrela vermelha, que seguia de perto a lua, tinha o nome de laouäre, palavra que Claude d’Abbevile traduziu por cão, mas que, em realidade, significa jaguar. Quando a lua se ocultava, dizia os tupinambás que o jaguar a perseguia com o fim de devorá-la. Se o disco lunar tornava-se avermelhado, acreditavam que esse planeta estava muito seriamente ameaçado pelo jaguar. Os antigos guaranis, do mesmo modo, tinham certeza de existir no céu um tigre ou um enorme cão, que em certas ocasiões devorava a lua ou o sol, causa do que chamamos eclipses. Seus atuais descendentes, os apapocuvas, falam de um jaguar celeste, azulado e semelhante ao cão, que destruirá a humanidade, começando por atacar o sol e a lua. Vive, atualmente, debaixo da rede de Ñanderuvuçú. Os chiriguanos transmitiram aos chanés o mito de seus antepassados, os guaranis, explicando, do mesmo modo, os eclipses como tentativas feitas pelo jaguar de duas cabeças no sentido de devorar a lua. Esse monstro, chamado yagua rogu, ataca a lua, sua benfeitora, não obtendo resultado em sua empresa graças ao alarido feito pelos homens para afugentá-lo.[2]**CONTINUE LENDO >>>

    **

    A lenda já aparece bem diferente de sua terceira versão. Não existe morcego, mas jaguar. Na segunda versão o animal celeste devora a lua e não o sol, embora a comilança do sol seja presumida. Alfred Métraux cita um livro do padre capuchinho Claude D’Abbeville que ouviu os índios informarem que o astro laouäre é o Planeta Vênus. Este é o planeta jaguar que devora a lua:

    A certa estrela chamam os índios iaouäre, cão. É muito vermelha e acompanha a luta de perto. Dizem, ao verem a lua deitar-se, que a estrela late ao seu encalço como um cão, para devorá-la. Quando a lua permanece muito tempo escondida durante o tempo das chuvas, acontece surgir vermelha como sangue da primeira vez que se mostra. Afirmam então os índios que é por causa da estrela iaouäre que a persegue para devorá-la. Todos os homens pegam então seus bastões e voltam-se para a lua batendo no chão com todas as forças e gritando, eicobé cheramoin goé, goé, goé; eicobé cheramoin goé, “au, au, au, boa saúde meu avô, au, au, au, boa saúde meu avô”. Entrementes as mulheres e as crianças gritam e gemem e rolam por terra batendo com as mãos e a cabeça no chão.

    Desejando conhecer o motivo dessa loucura e diabólica superstição vim a saber que pensam morrer quando vêem a lua assim sanguinolenta após as chuvas. Os homens batem então no chão em sinal de alegria porque vão morrer e encontrar o avô a quem desejam boa saúde, por estas palavras: eicobé cheramoin goé, goé, goé, eicobé, cheramoin goé; au, au, au, boa saúde, meu avô, boa saúde. As mulheres, porém, tem medo da morte e por isso gritam, choram e se lamentam.[3]

    Ficamos sem saber como Jean Chevalier e Alain Gheerbrant chegaram à conclusão de que o morcego é “devorador de luz, e aparece, portanto, como um substituto das grandes divindades ctonianas: o Jaguar e o Crocodilo”.[1] Poderia o avô ancestral transformado em jaguar sofrer nova metamorfose em vampiro para percorrer o céu em busca do sangue das mulheres que se contorcem de dor, cujo fluxo parece regulado pelo curso da lua?

    Notas:

    [1] CHEVALIER, Jean e GHEERBRANT, Alain. Dicionário de Símbolos. Trd. Vera da Costa e Silva, Raul de Sá Barbosa, Angela Melim, Lúcia Melim. Rio de Janeiro, José Olympio, 1999, p. 620-621.

    [2] MÉTRAUX, Alfred. A Religião dos Tupinanbás. Trd. Estêvão Pinto. São Paulo, USP, 1979, p 35.

    [3] D’ABBEVILLE, Claude. História da Missão dos Padres Capuchinhos na Ilha do Maranhão e Terras Vizinhas. Trd. Sérgio Milliet. São Paulo, Livraria Martins, 1945, p 247.

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    O último Jiangshi chegando nos festivais de cinema

    Recentemente nosso amigo Marco Seschi, frequentador e participante da Rede Vampyrica e do Círculo Strigoi reparou neste filme que estará…

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    Mito, Delírio e Violência Organizada

    Ao longo de mais de 30 anos circulando por cenas alternativas, góticas, noturnas, pagãs, ocultas e simbólicas, uma coisa se…

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    O relato que compartilhamos vem do estimado Dylan Pegoretti, frequentador da nossa atmosfera de eventos e colaborador da Rede Vamp…

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    O Vampiro no Sul da Noite: Brasil e Portugal

    “Um convite àquilo que sempre esteve à margem”Antes de virar personagem, fantasia ou palavra, o vampiro foi sensação. Um desconforto….

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  • Ed.03 Dicas Literárias do Gian

    CAMPANHA EM PROL DA LITERATURA FANTÁSTICA NACIONAL

    Nos últimos dias surgiram dois posts antagônicos aqui mesmo no Facebook, e eu gostaria de me alongar em relação ao assunto, pois eu mesmo estava comentando a respeito não só aqui como com um colega escritor.

    Um dos posts pedia (ou pede, pois ainda deve ser repassado por um ou outro dia) APOIO À LITERATURA FANTÁSTICA NACIONAL. O outro contrapunha o primeiro pedindo MAIS COMPETÊNCIA NESTA MESMA LITERATURA.

    Muito bem, agora… qual dos dois está correto?

    Ambos!

    **Continue lendo >>>

    Evidente que nem tudo é perfeito na literatura fantástica nacional. Mas isso acontece no mundo todo, o problema é que, como eles não ficam sabendo do que ocorre aqui, a maioria de nós não fica sabendo do que acontece lá fora. E se tem muita coisa ruim sendo publicada, também tem muita coisa boa. O que cabe ao leitor, ao editor fazer, é separar o joio do trigo, como em tudo na vida, para falar a verdade. E ao autor cabe ter bom senso e vontade de aprender e se desenvolver sempre. Mesmo assim, não se pode ignorar o que é bom só porque existe coisa ruim no meio!

    Na realidade, como eu estava comentando com o meu colega, o que está acontecendo é o declínio de um ‘boom’ de autores e editoras, em que vários cairão e só os que souberem trabalhar seus textos, fazer pesquisa, estudar, continuarão em frente. Uma vez mais como tudo na vida.

    Agora, se os dois estão corretos, qual está errado?

    Ambos!

    Pois ambos trabalham conceitos radicais, e a posição radical está errada praticamente todas as vezes.

    Isso é: a contraposição de uma colocação que pede APOIO INCONDICIONAL a algo não é que este algo PRECISA DE COMPETÊNCIA, mas como eu mesmo coloquei acima, que existem coisas boas e coisas ruins, é não é que as primeiras devem ser colocadas num pedestal e as últimas rechaçadas, mas ambas devem ser consideradas positiva e criticamente, de modo que chamemos a atenção do público leitor e ajudemos o autor amador a se profissionalizar.

    Do mesmo modo que, como eu mesmo já coloquei em textos anteriores, os AUTORES QUE ESTÃO COMEÇANDO DEVERIAM TER BOM SENSO e antes de ficar gritando aos quatro ventos que “seus livros irão revolucionar o mercado editorial” (e depois ficar usando como desculpa que este ou aquele autor famoso teve seus originais recusados diversas vezes, como se isso fosse a regra…), eles buscassem junto aos mais experientes uma noção do mercado, assim como lessem mais e buscassem maneiras (como a leitura beta, que eu já mencionei) de melhorarem suas escritas.

    Porque uma coisa eu posso dizer com certeza: NÃO É CRITICANDO DESTRUTIVAMENTE QUE VAMOS MELHORAR O MERCADO. SE CRITICAS DESTRUTIVAS SERVISSEM PARA ALGO ELAS NÃO SERIAM CHAMADAS DE ‘DESTRUTIVAS’.

    Gianpaolo Celli

    [Conheça mais sobre o novo colaborador do nosso blog!](https://redevampyrica.com/home/?news=novo-colunista-no-rede-vampconheca-gianpaollo-celli-e-suas-dicas-literarias)

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  • Viagem astral, duplo etérico e corpos sutis [de Marcos Torrigo]

    Oferecemos a nossas leitoras e leitores este trecho extraído do capitulo 4 do livro “Vampiros:Origens, Lendas e Mistérios” do pesquisador Marcos Torrigo e lançado pela editora Idéia & Ação; no ano de 2012 esta obra completo 10 anos de sua primeira publicação, sendo a primeira obra a abordar com densidade e multiculturalmente o mito, o folclore e o arquétipo do vampiro de forma subjetiva e também objetiva.Parte dos festejos desta primeira década da obra ocorreram durante a palestra “Vampiros & Rituais de Sangue na América Pré-Colombiana” no Encontro de Bruxas e Magos de Paranapiacaba apresentada por Marcos Torrigo e Lord A:.

    “A primeira morte se dá nos domínios de Demeter, a segunda tem lugar no além, nos domínios de Perséfone. A primeira é brutal e violenta, a segunda lenta e suave.” **Plutarco**

    Para entender melhor o fenômeno do vampirismo e como se processam seus ataques, iremos abordar os corpos sutis e a anatomia oculta dos seres humanos. Não se trata em absoluto de uma novidade; a acupuntura e seus meridianos, o Yôga e o processo de evolução através dos chacras se valem da anatomia oculta há milênios.Grosso modo, seria o corpo energético ou psicossomático, através do qual podemos entrar em contato com outras realidades, entre outras coisas. Estes corpos ficaram muito mais conhecidos nos últimos anos, com a popularização da técnica chamada viagem astral, que, creio, o leitor conhece ao menos em tese. Na viagem astral ou projeção da consciência, o corpo físico fica em repouso e o corpo astral é lançado. Todas as pessoas têm essa capacidade, umas mais naturalmente que outras, mas isso pode ser melhorado através do emprego de determinadas técnicas. Como já dissemos, não há nada de novo na viagem astral, e toda noite nos projetamos, a maioria das pessoas inconscientemente.Continue Lendo >

    O sahasrara chacra tem uma relação especial com a pineal; o objetivo da ascensão da kundalini, a iluminação, é conseguido ao se elevar a energia ígnea (kundalini) até esse chacra. As pessoas que passaram por esse processo narram tanto as maravilhas como os gigantescos terrores; a mente e a realidade se tornam irreais e uma nova realidade se descortina, lembrando que mesmo esses estados fantásticos não são o objetivo último. Os quatro elementos são chamados pelo espírito para uma dança de roda, e este está no centro — a dança de Shiva.

    A fogueira acesa crepita vários metros, o som do ar e do fogo enche nossos ouvidos, e a natureza ganha vida, tudo é vivo, e estamos em tudo. Quântico, energia, mares de energia, nas mais variadas formas. Êxtase infinito, o corpo treme como nos estertores da morte, mas ela é nossa amiga, o derradeiro portal; juntas, de mãos dadas, as irmãs vida e morte caminhantes rumo ao eterno. O medo, o terror, uma criança que nasce, uma nova realidade milhões de vezes mais abrangente.

    Seres espectrais, como demônios, elementais negros ou Asuras se aproximam. Mas o que eles podem contra nós? São nossos irmãos, no seio da mãe cósmica. Um vôo ao eterno, a sensação é de vertigem, não há palavras para descrever o inefável. Mandalas tridimensionais, infindáveis, girando, girando, somos recebidos por Ch’ien, o Dragão cósmico, o criativo. O ser atemporal, infinito, tudo sei, tudo posso, sou uma criança e um velho. Mas vem a saudade do ser encarnado, limitado no tempo e no espaço, e é o momento de voltar.

    Como veremos de forma mais abrangente no capítulo V, o vampirismo está associado à magia e à bruxaria em todo o mundo. Um praticante de magia em vida, na morte pode se tornar um vampiro, ou mesmo estando vivo pode se valer da projeção astral (duplo etérico) para drenar energia dos vivos.

    Antes de prosseguirmos neste ponto, faz-se mister trazer à baila um outro conceito, a energia prânica. Prana é a energia do Sol; ela é encontrada em todos os seres. É fundamental para a manutenção da vida. Para absorver a energia prânica usamos o duplo etérico, que é um elo de ligação entre o físico denso e o corpo astral (nota: todos esses corpos são físicos, na verdade não há diferença entre físico e espiritual, são níveis diferentes da mesma coisa; para melhor compreender isso, usemos a teoria da relatividade, onde a matéria equivale à energia).

    A função do duplo etérico é captar a energia prânica durante o sono. Duplo etérico é prana maya kosha, ou o veículo do prana. Em projeções longas, o corpo físico fica em catalepsia, como um cadáver, a respiração e os batimentos cardíacos caem a níveis mínimos. Tanto é que alguns projetados já foram dados como mortos. Os iogues conseguem levar essa prática às ultimas conseqüências; são enterrados vivos por semanas, enquanto seu corpo astral vaga e ajuda a manter o físico. Não esquecendo, é claro, os pranayamas e a meditação profunda.

    Um faquir, na Índia, foi enterrado por um mês (!) sob a supervisão de Sir Claude Wade. O faquir foi lacrado em uma caixa, e a chave dada a Sir Claude. Ficou enterrado dentro de um túmulo de alvenaria e coberto de terra. Guardas ficaram a postos pelos trinta dias. Transcorrido o prazo, ele foi desenterrado. Aparentemente estava morto, mas foi desperto pelos seus companheiros. O duplo é o responsável pelo ectoplasma e grande parte da fenomenologia espírita, ou seja, ele propicia materializações, ruídos e toda a sorte de manifestações.

    Os médiuns, após as sessões de materialização, ficam extenuados; ao que tudo indica, muito da sua energia é gasta na materialização, mais um motivo para que os magos negros se valham do vampirismo para abastecer-se de energia.

    Outro fato relevante é que os médiuns apresentam alguns sintomas das vítimas de vampirismo, mas de forma alguma esse fenômeno se restringe ao dito espiritismo. Qualquer mago que tenha conseguido uma materialização saberá o desgaste advindo, talvez menor que no caso dos médiuns, mas da mesma forma presente.

    Z. T. Pierart, um espiritualista francês e editor da revista La Spiritualiste, foi um opositor do espiritismo e das idéias de Kardec. Achava que o vampiro era o corpo astral de uma pessoa enterrada viva, que usava o vampirismo sobre seu corpo enterrado para se manter vivo por mais tempo. Magos experientes podem adensá-lo (materializando-o), e isto pode ocasionar um fenômeno chamado repercussão, sobre o qual muito se falou. Uma bruxa está materializada (duplo etérico). Se por acidente ela se fere, esse ferimento pode ser transmitido ao corpo físico.

    Os relatos desse tipo são inúmeros, e a literatura do ocultismo está cheia deles, sem falar que o duplo podia tomar formas variadas, daí a licantropia e a capacidade do vampiro de se metamorfosear em vários seres.

    Para os ciganos alemães o Vampiro deixava seu esqueleto na tumba; daí vem a crença de que os Vampiros não têm ossos. Possivelmente o duplo materializado tinha uma constituição sólida, mas de uma solidez diferente da matéria vulgar. Toda noite o duplo absorve a energia prânica do ambiente. Esse fato é deveras contundente, basta para tanto imaginar que todos os seres ao dormir estão se nutrindo dessa energia. Quando, por algum motivo, esse prana é absorvido de outro ser, temos o vampirismo.Lembrando que o prana no corpo humano se concentra em especial no sangue! No capítulo II, falamos de uma crença na Romênia de que Vrykolakas são almas de pessoas que saem à noite para alimentar-se da energia do Sol e da Lua. Elas lembram, fisionomicamente, os suspeitos de Vampirismo. Esse relato é uma prova bastante forte a respeito do porquê do fenômeno do vampirismo.

    O capitulo 4 ainda irá explorar muitos outros temas doravantes a Viagem Astral, Duplo Etéreo e Corpos Sutís…Não deixe de adquirir o seu exemplar deste livro nas melhores livrarias do Brasil!Vale a pena ter um na sua estante!**#Dica do Lord A:.**

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  • NÃO HÁ MAIS DIVISÃO ENTRE CULTURA E ENTRETENIMENTO, DIZ ESCRITOR

    “Vim aqui para anunciar uma triste notícia. O fim do livro e do jornalismo cultural.”

    Foi assim que o jornalista e escritor francês Frédéric Martel abriu, na tarde desta terça (29), o debate sobre futuro da literatura, no teatro Tuca, em São Paulo. O evento faz parte da programação do 4º Congresso Internacional Cult de Jornalismo Cultural.

    O tom da fala de Martel, contudo, estava bem longe do funesto. Para ele, a dupla morte abre espaço para uma época de renascimento, para a emergência da diversidade cultural e o fim das hierarquias culturais.**Leia Mais >>

    “Há pessoas que defendem um modelo cultural elitista, que têm medo da vulgarização. Mas a cultura mudou. A ideia de que poderia haver uma divisão entre cultura e entretenimento está completamente apagada. A gente pode ler Montaigne e de noite querer ver ‘Avatar’, sem por isso ser doente.”

    Ele destacou também que a revolução digital poderá beneficiar sobretudo os países emergentes, como o Brasil. “Muitas pessoas temem o mundo no qual estamos entrando. Mas não é recusando o livro digital e a globalização que ficaremos mais fortes. Abrindo-nos para o mundo é que vamos nos abrir para o futuro.”

    Mariza Werneck, professora da PUC-SP, argumentou que o suporte da leitura (pedra, papiro ou livro, por exemplo) não é o ponto mais importante do problema. “Talvez, mais que a perda do objeto livro, a minha verdadeira nostalgia seja: qual é o lugar da leitura hoje? Qual o lugar do silêncio no mundo digital? Não posso pensar em um suporte que não possibilite a reflexão.”

    Ao suposto fim do livro em papel seguiu-se o debate sobre os direitos autorais na época digital. A professora explicou que os conceitos de autoria e originalidade surgem apenas no século 18 e podem “desaparecer da mesma forma como surgiram”.

    Já para o escritor Joca Terron, que também fazia parte da mesa, o direito autoral caminha para a dissolução total. “O leitor que principia a leitura raramente percebe o nome do autor na capa. Tenho a impressão de que é uma ideia totalmente artificial.”

    O escritor também não acredita que o fim da ideia de direito autoral possa prejudicar a criação literária. “A criação é pura cópia, não será prejudicada. As coisas se recriam, se modernizam, assumem novas formas.”

    Martel, por outro lado, defendeu que a noção de autoria será fortalecida nos próximos anos.

    “Acho que com o digital vamos ver a consagração do direito autoral. Essa é a condição da liberdade do artista. O que não quer dizer que não deva evoluir, adaptar-se às mudanças.”

    **[FONTE ORIGINAL](http://www1.folha.uol.com.br/ilustrada/1097510-nao-ha-mais-divisao-entre-cultura-e-entretenimento-diz-escritor.shtml)**

    * Se você curtiu a leitura deste texto, não deixe de ler este outro artigo que aborda a questão da “Monocultura”

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    QUEM É FREDERIC MARTEL?

    Frederic Martel é doutor em sociologia, pesquisador, jornalista, professor e apresentador do principal programa de informação da Radio France sobre as indústrias criativas e os meios de comunicação.

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  • Subculturas Alternativas: Elas ainda existem?Monocultura, Consumo, Imagem & Moda [de Sana Skull]

    O texto a seguir é de autoria de Sana Skull do blog “[Moda de Subculturas](http://modadesubculturas.blogspot.com.br/)” e vem a ser reproduzido com autorização dela.

    “ _Subculturas Alternativas. Elas eram um aspecto crucial da civilização industrial nos dois séculos anteriores… mas elas se tornaram extintas._ ” William Gibson, [All Tomorrow’s Parties](https://en.wikipedia.org/wiki/All_Tomorrow%27s_Parties_%28novel%29).

    “ _COILHOUSE é uma carta de amor à cultura alternativa, escrita em uma Era onde a cultura alternativa não mais existe._ ” Descrição da [revista alternativa Coilhouse](http://modadesubculturas.blogspot.com.br/2009/12/metal-couture-and-clothes.html).

    Suponho que todos que lêem este blog sabem o que é uma subcultura.

    Cultura significa a tradição, normalmente clássica e conservadora, um padrão de excelência a ser vivido. Já a palavra subcultura evoca um tipo de submundo, quando um grupo de pessoas faz questão de viver de forma diferente da cultura dominante e lutando contra ela. A revolta, ações ou o uso de roupas diferentes são uma forma de recusa à excelência exigida. Exemplo? Os _teddy boys, skinheads _e _punks_ quando surgiram, eram considerados ameaças à ordem pública, viviam em auto-exílio e eram a resposta heróica de jovens contra a cultura de massa.**CONTINUE LENDO >>>

    As subculturas como as conhecemos hoje nasceram no mais louco século que o mundo já viu: o século XX. Sobreviveram à ele? Há quem diga que não. Há os que creem que as subculturas “morreram em 1992” quando sua estética passou a ser consumida e comercializada em massa pelas grifes _mainstream_ e morreram de fato quando as pessoas passaram a ter acesso à Internet e as ideologias foram substituídas por estéticas vazias de significado.

    A definição do que sabemos e entendemos como “subculturas alternativas ” vem de estudos acadêmicos de sociólogos e antropólogos que nunca pertenceram a subcultura nenhuma. O resto vem da mídia. A mídia é especialista em focar em elementos da superfície das subculturas ao invés de sua substância, a forma como as subculturas são exibidas na mídia as torna mais exóticas e assustadoras do que elas realmente são.****

    E por que não existiria mais a cultura alternativa?

    Segundo o escritor Joshua Ellis, porque ela foi devorada pela monocultura. Em uma monocultura, é impossível criar qualquer subcultura que se coloque em oposição ao _mainstream_ porque o _mainstream_ simplesmente se apropria dela (explico melhor isso na postagem a seguir, a parte 2).

    A cultura alternativa, embora recuse os aspectos da cultura dominante, consome objetos vendidos pelo _mainstream_ , especialmente roupas que são parte de sua “rebelião”. _Grunge_ pode ser comprado na Burberry, _Heavy Metal_ no Louboutin, Gótico na H&M e por aí vai… Cada vez mais rapidamente arte, moda e música alternativa são apropriadas e integradas pela cultura dominante. Mas há diferença entre consumo comercial e o consumo pela criativdade/originalidade. A fusão entre as subculturas e a moda não é um processo cultural e sim, comercial e econômico.

    É comum ouvir da geração que é adolescente/jovem no século XXI que eles não se encaixam em nenhuma subcultura e dizem pertencer ao universo alternativo como um todo. Ao invés da identidade de grupo há a identidade fragmentada; o comprometimento e os laços com a subcultura são fracos, o que faz os jovens “trocarem” de subcultura quando bem quiserem; ao invés de pertencerem à uma subcultura por seus os valores e crenças, faz-se parte delas apenas pelo fascínio das roupas e da imagem; a auto-imagem autêntica virou uma celebração do não-autêntico enfatizando a hibridicidade e diversidade. Os jovens alternativos do passado antes defendiam com mente aberta temas tabus, os de hoje tem a mente fechada e conservadora sobre estes temas. Há a falta de uma ideologia, o desejo de não ser rotulado, o individualismo, o contrario da imagem típica e homogênea do que endende-se por _subculturas_.

    Contrariando tudo acima, o livro The Post Subcultures Reader, diz que essa incorporação das subculturas pelo _mainstream_ formando a monocultura é um mito sem fundamento que subestima a colaboração multifacetada das subculturas com os grandes negócios da cultura dominante. E sugere ainda que não há resistência intrínseca ou qualidades subversivas nas subculturas. A inteção do livro é repensar e reformular o que entendemos como “subculturas”. Polêmico não?

    A MONOCULTURA

    A primeira parte , foi sobre algumas publicações que sugerem que a monocultura matou as subculturas em anos recentes. Para explicar o que é uma monocultura optei por traduzir um artigo que em minha opinião, é extremamente claro sobre a relação das subculturas com a pós modernidade. O artigo foi publicado na revista Coilhouse #4 sob o título de “ _Children by the Millions Wait_ ”, escrito por Joshua Ellis.

    Ir contra a Igreja era _punk_ pra caramba no século XI. Parte do processo de se tornar uma aberração cultural ou um místico é ser retirado de sua zona de conforto: você está explicitamente assumindo-se como uma pessoa fora da norma e sendo um “estranho”. Não há como voltar atrás. Para as gerações pós-guerra, a transcendência e a revolução pessoal estão intrínsecamente ligados aos meios de comunicação de massa, como literatura, filmes _underground_ , _rock and roll, hip-hop_ e música eletrônica. Para mim, na escola, o caminho do excesso era _rock and roll_ juntamente com a literatura emergente _cyberpunk_ de William Gibson, Bruce Sterling e John Shirley. Naqueles dias, antes da onipresença da _internet_ , era difícil as coisas chegarem em suas mãos se você vivesse fora dos núcleos urbanos centrais dos Estados Unidos. Eu acho que grande parte do valor da contracultura, era a escassez da mesma, o mistério. Vale lembrar que, antes desta década, era difícil encontrar uma música que não estava em grandes gravadoras, filmes que não foram lançados por grandes estúdios de Hollywood ou livros de pequenas editoras. Não havia Amazon ou iTunes. Se você quisesse em alguma coisa estranha e diferente, suas opções eram severamente limitadas. O que Nick Hornby disse no filme Alta Fidelidade é absolutamente verdadeiro em mim: eu gosto das pessoas em sua maioria não por causa de quem eles são, mas por causa do que eles gostam. Se isso soa superficial, pense da seguinte maneira: em certo sentido, suas escolhas no consumo de mídia sugerem muito sobre quem você é e o que você acredita.

    Com a popularização da Internet, é quase impossível não saber tudo sobre qualquer coisa nos dias de hoje. Eu tendo a acreditar que a Internet realmente matou o conceito de uma contracultura. Em vez disso, temos o que meu amigo Warren Ellis chama de monocultura : “ _Vá na sua esquina_ “, diz Ellis em seu livro em quadrinhos Transmetropolitan, “ _Você provavelmente vai ver um McDonalds, uma televisão ligada na MTV, uma loja de roupas Gap. Vá à uma esquina da uma rua em Londres e você verá a mesma coisa. O mesmo em Praga, mesmo em São Paulo, Grozny e Hobart. Isso é o que é uma monocultura. Está em todo lugar, é tudo a mesma coisa. Isso é o futuro. Isto é o que nós construímos._ “

    A tatuagem e a modificação corporal são um grande exemplo. Há vinte anos, ter mangas de tatuagens em seus braços era algo muito estranho. Era relativo à motociclistas, condenados e _punks_ que não esperavam ocupar um emprego. O mesmo acontecia com os _piercings_. As únicas pessoas com _piercings_ faciais eram as aberrações de circo. Hoje, todos tem _tatoos e piercings_ , inclusive minha mãe. A loja de tatuagem deixou de ser no beco da pior parte da cidade e passou a ser uma loja de alto nível. Tatuagens eram de modo geral, culturalmente inaceitáveis no ocidente. Também não era aceitável caucasianos terem cabelos _dreads_ , moicanos ou tingidos. Ao mesmo tempo que está totalmente descolado usar seu cabelo como o de um empresário dos anos 50, está aceitável para as mulheres vestir espartilhos, vestidos de estampas florais até os tornozelos ou uma combinação de ambos. O que estamos vendo, talvez pela primeira vez na história, é um mundo em que tudo é aceitável.

    Porém dentro e fora da monocultura há os que professam indignação com o declínio “moral” da sociedade, em grande parte são conservadores cristãos e islâmicos. Mas, em geral, a monocultura ignora essas pessoas, em parte porque eles tendem a não ser bons consumidores e, portanto, são praticamente invisíveis para o capitalismo (que faz a monocultura), e em outra parte parte, essas pessoas constituem a única verdadeira contracultura atual, rejeitando e rejeitada pela sociedade, marginalizados por sua falta de vontade ou incapacidade para entrar na onda mundial. Como John Walker Lindh provou alguns anos atrás, a única forma real irritar seus pais e a sociedade é começar a falar absurdos em nome de um Deus ou de outro.

    Hoje em dia, estar em uma banda _punk_ é como estar em um círculo de leitura, um grupo da igreja ou um grupo de xadrez: uma maneira divertida de passar algumas noites da semana e não o ato anarquista de cuspir na cara de convenção. E então eu volto aos anos de 1991, dias pré-internet, quando calçar um Doc Martens com os laços desfeitos, ter Manic Panic no cabelo e ler romances polêmicos era uma forma de distanciar-se de tudo o que era monótono e normal sobre a sociedade. Eu percebi que a minha revolução foi maior, não porque tínhamos perdido, mas porque tínhamos vencido. Nós tínhamos refeito o mundo à nossa imagem, e o mundo não se importava mais conosco. Minha fantasia adolescente era ver um mundo conectado pelas redes globais e controlado por super nerds, um mundo que tornou-se realidade … e é muito menos interessante do que eu imaginava que fosse. Mas ainda acredito que o _rock_ _ and roll_ pode mudar o mundo, se não o mundo em geral, pelo menos o seu próprio mundo pessoal.”

    A autora Sana Skull nos conta que: “- Minha intenção de fazer esta seqüencia de postagens, partiu de minha observação e reflexão sobre alguns comportamentos que tenho acompanhado da geração mais nova que eu e que se diz “alternativa”. Assim como o autor deste texto, vivi metade de minha vida numa era pré-internet e realmente o comportamento subcultural, assim como a forma que a sociedade via as pessoas alternativas está bem diferente, muito mais aceitável. Chega a ser bizarro lembrar que o maior modelo masculino da atualidade seja um cara todo tatuado apelidado de “Zombie Boy” e que as maiores modelos femininas são as que tem algo incomum ou fora da beleza padrão

    Cheguei a escrever sobre isso em 2009, na postagem “Não Sou Mais Tão Estranha…, na época eu já notava há algum tempo, que algo estava ocorrendo na relação sociedade x estética alternativa.

    CONSUMO, IMAGEM & MODA

    A Monocultura que foi o tema do _tópico anterior_ anterior, se baseia na idéia de o capitalismo ter chegado ao ponto extremo de abraçar as subculturas como parte do _mainstream_ , já que estas deixaram de fazer resistência aos valores da cultura dominate. O capitalismo é a chave de entrada desta postagem. Para isto, foquem nos valores comerciais, econômicos e visuais dos dias de hoje; pensem em comportamento consumidor. Vivemos numa sociedade em que absolutamente tudo é fabricável, desejável e comprável.

    Vivemos na Era da Imagem

    Não é preciso ler, mas é preciso ver! A prova é a quantidade de blogs e redes sociais que surgiram nos último anos. _Tumblr_ é um blog cujo formato tem foco na publicação e re-publicação de imagens muitas vezes sem suas fontes de referência, um formato que passa a idéia de um mundo (de imagens) sem dono. As redes sociais _Pinterest, I (heart

  • Ed.02 Dicas Literárias do Gian

    LEIA MAIS! Pois quando a o rádio apareceu, disseram que o jornal ai acabar, e não acabou. Aconteceu a mesma coisa com o rádio quando surgiu a TV (não acabou)… Além destes, temos o cinema como outra grande forma de contar histórias. A literatura, entretanto, sobreviveu e sobreviverá!

    Então LEIA MAIS, pois além de informar e entreter, a literatura é, como os mitos para os antigos, uma terapia. Uma psicanálise pessoal onde o leitor progride em seu próprio tempo, se identificando com este ou aquele personagem, este ou aquele arquétipo, esta ou aquela trama, de acordo com a fase que esteja vivendo.

    Assim, independente do que esteja passando, LEIA MAIS, pois se não servir para que você aprenda sobre você mesmo, pelo menos servirá para entreter… isso sem falar que aumentará seu vocabulário.

    Gianpaolo Celli

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    Recentemente nosso amigo Marco Seschi, frequentador e participante da Rede Vampyrica e do Círculo Strigoi reparou neste filme que estará…

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    Mito, Delírio e Violência Organizada

    Ao longo de mais de 30 anos circulando por cenas alternativas, góticas, noturnas, pagãs, ocultas e simbólicas, uma coisa se…

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    Entre Livros e Salões: Os ecos de Carmilla em uma Noite de Gala Sombria

    O relato que compartilhamos vem do estimado Dylan Pegoretti, frequentador da nossa atmosfera de eventos e colaborador da Rede Vamp…

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    O Vampiro no Sul da Noite: Brasil e Portugal

    “Um convite àquilo que sempre esteve à margem”Antes de virar personagem, fantasia ou palavra, o vampiro foi sensação. Um desconforto….

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  • Vampiros em Quadrinhos [por Shirlei Massapust]

    _“A grande mágoa de minha vida é nunca ter feito quadrinhos.”_

    **Picasso**

    Este artigo é sobre a difusão das revistas em quadrinhos (HQs) do gênero terror no Brasil. (Revista completa mesmo, o nosso país só conheceu em 1951, muito antes desta data já eram publicadas histórias avulsas). Portanto vamos começar por excluir todas as tiras e charges de jornal, sem pretensão de discriminar todos os sucessores da tirinha norte-americana A Mutt (1907), sempre tão dedicados a critica política. Ao invés disso hei de introduzi-los na companhia da prole bastarda dos antigos livros ilustrados japoneses, do gênero ukiyo-e antes que aquilo fosse chamado de mangá.

    As revistas em quadrinhos (inglês comic books, japonês mangá, francês bande dessinée, italiano fumetti, espanhol tebeo ou historieta, etc.) sempre foram expressões artísticas, inexistindo distinção entre o vocábulo coloquial e o termo erudito “romance gráfico”. Para ser clara: As estórias do personagem Sandman, criado em 1988 por Neil Gamain para o selo Vertigo da editora norte-americana DC (a editora do Super Homem) é um romance gráfico para adultos. Mas a Vampirella, criada por Forrest Ackerman em 1969 e publicada inicialmente pela editora Warren, também é. O Vampire Hunter D, lançado em 1983 pelos japoneses Hideyuki Kikuchi e Yoshitaka Amano, também é. E as coleções brasileiras Calafrio e Mestres do Terror, da RGE, também são! A nacionalidade do artista não reprime o seu talento. Não existe procedência melhor nem quadrinhos de técnica melhor nem pior. Apenas estilos diferentes. A maior prova disso é que no Japão o jornalzinho (inglês fan magazine ou fanzine, japonês d?jinshi, português lusitano cover, etc.) costuma ser apresentado em encadernações mais luxuosas que as edições industrializadas.**CONTINUE LENDO >>>

    Quando lemos artigos avulsos sobre o mito do vampiro publicados dentro de revistas em quadrinhos brasileiros, os autores recomendam uma série de livros para emprestar erudição ao cenário. (São sempre os mesmos livros!) Contudo, lendo as estórias antigas é claramente perceptível que foi o romance Drácula (1897) de Bram Stoker (1847-1912) que forneceu o modelo de vampiro ideal. O restante são obras agregadas pela pertinência temática: The Vampire (1819) falsamente atribuído ao Lord Byron, Le Vampire (1851) falsamente atribuído a Alexandre Dumas, Camilla (1872) de Sheridan Le Fanu (1814-1873), La Ville Vampire (1875) de Paul Feval (1816-1887), etc., eram usados como fontes de informação suplementar, lidas em dependência do modelo principal. A maior prova disso é que obras relevantes como O Estrangeiro Vampiro (1897) do português António Duarte Gomes Leal (1848-1921) e Eu Sou a Lenda (1954) de Richard Matheson (1926-) jamais receberam semelhantes ‘tributos’.

    Excetuando esta peculiaridade dos contos de vampiros, tanto os roteiros de filmes quanto os quadrinhos sofreram notável influência de um amplo leque literário, especialmente de A Divina Comédia de Dante Alighieri (1265-1321), do Frankstein (1831) de Mary Shelley (1797-1851), das dobras completas de Edgar Allan Poe (1809-1849), H. P. Lovecraft (1890-1937), Colin Wilson (1931-) e Stephen King (1947-); do O Exorcista (1971) de Willian Peter Blatty (1928-), de A Profecia (1976) de David Seltzer (1940-) e O Bebê de Rosemary (1977) de Ira Levin (1929-2007).

    Estão enganados os que pensam que a ficção científica é mais ‘futurista’ enquanto os roteiros sobre monstros seriam mais ‘atrasados’. A expressão science fiction entrou para os dicionários entre 1911 e 1930, que foi justamente o período mais fértil em autores clássicos do gênero no campo literário. Porém, quando os cinemas se popularizaram, teve início o império dos filmes de terror. O primeiro filme exibido no Brasil foi o Drácula (1931). Filmes clássicos anteriores como Fausto (1926) e Metrópolis (1927) foram realmente exibidos depois e ficaram parecendo obras complementares na imaginação popular, juntamente com M: O Vampiro de Dusseldorf (1931) e Vampyr (1932). É por isso que quando a Universal Pictures realmente lançou as seqüências A Filha de Drácula (1936) e O Filho de Drácula (1942) houve um estranhamento patético.

    No Brasil, a primeira revista de terror foi editada por La Selva, uma pequena editora paulista. Esta casa publicava mensalmente uma revista tipo super-herói, desenhada por Jerry Robinson com o título Terror Negro, com capas do pintor Waldemar Cordeiro. Em maio ou junho de 1951 a editora La Selva recebeu uma oferta para publicar a revista norte-americana Beyond, uma das muitas de terror que estavam sendo editadas nos Estados Unidos.

    Como o personagem Terror Negro (título original) tinha sido suspenso, aproveitou-se o mesmo título e, em agosto de 1951, surgiu nas bancas brasileiras a primeira revista de terror. Eram seus editores Jacomo Laq Selva, Paschoal La Selva, secretariada por Reinaldo de Oliveira. “A partir daí as revistas de terror proliferaram e chegaram a uns trinta títulos diferentes” .

    Com a carência de produção de histórias americanas no gênero, as revistas apelaram para desenhistas nacionais a fim de continuar a responder ao interesse do grande público pelas revistas de terror. Na década de 70 praticamente todas as editoras de quadrinhos na Mooca e Cambuci (bairros gráficos paulistas) só trabalhavam com desenhistas brasileiros ou estrangeiros aqui radicados como: Nico Rosso, Jayme Cortez Martins, Rodolpho Zalla, Júlio Shimamoto, Gedeone Malagoa, Eugênio Colonese, etc.

    Por uma questão estilística os editores de quadrinhos sempre utilizavam, em licença poética, o termo “história” para designar a estória fictícia. Os críticos sempre reclamaram que o gênero literário deveria se chamar “horror”, ao invés de “terror”, porque os dicionários etimológicos definem terror como um temor fundamentado (daí o adjetivo “terrorismo”) enquanto o horror é uma reação psicológica infundada e puramente subjetiva do observador diante da coisa “horrível” (um cadáver putrefato, feridas abertas, deformidade física). Mas a idéia de chamar o gênero de “terror” não foi brasileira. Os quadrinhos com temática de horror sempre foram conhecidos como “Terror Tales” nos Estados Unidos, por licença poética, para dar credibilidade às produções.

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  • Ed.05 [8 de Espadas – 21 a 31 de Maio]

    Nesta edição do podcast “Tarô dos Vampiros:Oráculo da Noite Eterna” confrontamos a amargura e aridez do 8 de Espadas para assim conquistarmos o avermelhado mel da inspiração e o estado de graça acessível apenas para quem se aventura pelas tormentas e tempestades…Na trilha sonora temos a música “Evocare” do projetoDathura Suavolens do músico paulistano David Hexen.O texto desta edição tem influências e inspirações nos escritos de Nicholaj Frisvold (autor de Art of Night da Mandrake Press) e também de Veet Pramad (do livro Tarô e e seu uso terapêutico, da Ed.Madras)A apresentação é de Lord A:.

    Não deixe de escutar as edições anteriores do nosso podcast, aqui!](https://redevampyrica.com/home/?cat=641) _E se este é o seu primeiro contato com este assunto, conheça mais sobre os Arcanos Menores do Tarô (o que são e para que servem,aqui!)_

    * Compre o seu Tarô dos VampiroS em nossa loja!

    * Assista ao Podcast Semanal do Tarô dos VampiroS

    * [Apresentação do Tarô dos Vampiros [por Lord A:.]](https://redevampyrica.com/home/?p=2544)

    * Conheça nosso Treinamento no Tarô dos VampiroS;

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  • Ed01.Dicas Literárias do Gian

    As vezes eu estranho as colocações de alguns autores nacionais!

    Em sua maiorias iniciantes, com não mais do que um, no máximo dois título nas livrarias, estão longe de serem conhecidos (isso é, além do fandom da qual fazem parte), mesmo assim reclamam que as editoras (no plural, mesmo porque não tem coragem de criticar abertamente quem lhes deu uma chance) não fazem nada por eles. Como se eles mexessem o dedo além da internet (que praticamente só chega a quem já os conhece) para tentarem se promover.

    As vezes reclamam que só recebem 10% de direitos autorais, dizendo que isso é quase trabalhar de graça. Estranho pois além de ser um padrão no mundo, é algo que eles sabiam antes de assinar o contrato a não falaram nada (interessante que como as livrarias são sempre grandes, ao contrário da maioria das editoras que aceitam autores iniciantes, apesar de saberem que elas ficam com de 40 a 50% do preço do livro, ninguém reclama que a livraria não faz nada pelo pequeno autor).

    Finalmente, dizem que escrevem por amor (porque “ninguém” consegue viver de DA), embora achem que pagar para publicar é humilhante (isso porque um dos maiores sucessos da literatura nacional começou bancando os próprios livros). Não sabem quanto custa, ou não acham que precisam de uma leitura beta honesta, assim como revisão de seus textos. Sem contar é claro custos como diagramação e capa, assim como o registro do ISBN na biblioteca nacional (que muitos nem sabem como fazer) e o custo de gráfica.

    Afinal de contas, é mais fácil criticar os outros por não fazerem sucesso do que tentar correr atrás!

    **Gianpaolo Celli

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  • Ed.04 [7deOuros&ReideEspadas-10a20deMaio]

    Nesta edição do podcast “Tarô dos Vampiros:Oráculo da Noite Eterna” apresentamos a carta do 7 de ouros e do Rei de Espadas.Falamos de Resiliência e de impetuosidade.Na trilha sonora temos a música “Evocare” do projetoDathura Suavolens do músico paulistano David Hexen.O texto desta edição tem influências e inspirações nos escritos de Thomas Karlson, Nick & Katy Frisvold e também de Veet Pramad (do livro Tarô e e seu uso terapêutico, da Ed.Madras)A apresentação é de Lord A:.

    Não deixe de escutar as edições anteriores do nosso podcast, aqui!](https://redevampyrica.com/home/?cat=641) _E se este é o seu primeiro contato com este assunto, conheça mais sobre os Arcanos Menores do Tarô (o que são e para que servem,aqui!)_

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    * Assista ao Podcast Semanal do Tarô dos VampiroS

    * [Apresentação do Tarô dos Vampiros [por Lord A:.]](https://redevampyrica.com/home/?p=2544)

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