Durante o começo do ano de 2011, estudantes do terceiro ano do curso de psicologia da UNINOVE escolheram abordarem INTERFACES DO SAGRADO NA PSICOLOGIA JUNGUIANA E DESENVOLVIMENTO DA CONSCIÊNCIA DO FEMININO e para a consecução desta pesquisa buscaram por integrantes do Círculo Strigoi, antigo Officina Vampyrica.Segundo as próprias palavras dos pesquisadores:
(…)Para um melhor entendimento entre teoria e a prática analítica de Jung realizamos uma revisão literária e pesquisas orientadas pela supervisão para tentar traçar um paralelo entre a religião pagã denominada Strigoi, os mitos e rituais que se fundamenta. Chegando assim a montagem deste relatório final, com todas as nossas críticas e considerações sobre o tema.(…)
Dentro das limitações técnicas da pesquisa e da manutenção de aspectos velados do círculo e da ausência de uma visita de campo e pessoal da parte dos pesquisadores – penso que eles executaram um trabalho bastante interessante e instigante – sendo que nunca tiveram qualquer contato prévio com os temas abordados.Talvez devido a “jargões” acadêmicos, alguns pontos possam soar com uma tônica incomum para integrantes da cena e mais específicos da Cosmovisão Vampyrica.Particularmente penso que alguns trechos da minha entrevista e alguns conteúdos que abordaram – teve uma perda maciça de informações.Mas enfim, se por um lado perderam nas especificidades por outro apresentam temas interessantes…Pelo menos um bom começo de trilha para leitoras e leitores que também estão travando contato pela primeira vez com esta temática.
De fato é um registro peculiar sobre alguns aspectos parciais da Cosmovisão Vampyrica, de algumas práxis do Círculo Strigoi – e que com certeza virá a instigar mais perguntas e inspirações.Compartilhamos agora com vocês o trabalho e se quiserem deixem commnents ao término da leitura.E se quiserem conhecer mais do Círculo Strigoi, cliquem aqui.
INTERFACES DO SAGRADO NA PSICOLOGIA JUNGUIANA E DESENVOLVIMENTO DA CONSCIÊNCIA DO FEMININO
_Relatório Final de Estágio Básico III do curso de Psicologia, sob supervisão da Professora Izildinha Konichi_
Resumo:
O objetivo deste trabalho foi o de, a partir da mitologia, entender a fundamentação teórica de Jung. Como os fundamentos junguianos trabalham com os mitos para entender e analisar a psique humana, que ele nomeou de psique arquetípica, que surgem na consciência como imagens simbólicas. Entender a analise junguiana como sendo simbólica e análoga, ou seja, a interpretação acontece através da ampliação da imagem simbólica, traçando paralelos e semelhança com outros símbolos. Realizamos leituras críticas de mitos indicados pela supervisão, que percebemos ser a base de todos os temas que dão sustentação a vida humana, como as religiões, que iremos abordar neste relatório. A partir dos textos indicados realizamos debates e articulações com o tema do estágio, durante encontros semanais.
Procuramos entender através de literatura especializada os principais conceitos da teoria junguiana, permitindo-nos refletir sobre suas principais teorias e sua importante contribuição para a psicologia. Para um melhor entendimento entre teoria e a prática analítica de Jung realizamos uma revisão literária e pesquisas orientadas pela supervisão para tentar traçar um paralelo entre a religião pagã denominada Strigoi, os mitos e rituais que se fundamenta. Chegando assim a montagem deste relatório final, com todas as nossas críticas e considerações sobre o tema.
Palavras chaves:
Arquétipo, feminino, mito, inconsciente coletivo e Strigoi.
**Introdução **
A maior contribuição de Jung à psicologia é a descoberta do inconsciente coletivo. A psique individual não é apenas produto de experiência pessoal, possui uma dimensão que resulta da experiência da espécie que se manifesta em padrões e imagens universais, conforme vimos no capítulo que aborda o ego inflado. O conteúdo do inconsciente coletivo são os arquétipos.
O arquétipo pode ser interpretado como modelo preexistente, inconscientemente, inerente ao ser humano, sendo identificado por estruturas psíquicas. Jung, após estudar os sonhos de seus pacientes, percebeu que os sonhos eram constituídos de imagens e símbolos e esses possibilitavam o resgate de fatos históricos e de motivos mitológicos. Jung percebeu que os mitos são formas de explicar o mundo e o homem, que existem em todas as culturas e civilizações. Os mitos são a parte simbólica da linguagem, uma forma não racional de explicar fatos e acontecimentos, por alegorias. Conhecendo os mitos, entendemos os mais variados povos e culturas. O mito, segundo Jung, e uma forma de manifestação do inconsciente, o que ele chamou de inconsciente coletivo. Os arquétipos são inúmeros e incontáveis, porém, Jung nomeia alguns que estão em permanente contato com o eu. São eles: a persona, a sombra, a anima, o animus e o self – este também é denominado de si – mesmo e constitui o núcleo central não só do inconsciente, mas, também, de toda a psique.
Os temas comuns dos arquétipos, que são expressos em praticamente todas as culturas, são o herói, o pai poderoso, a mãe carinhosa, a bruxa, o velho sábio, a criança inocente, a morte e o renascimento. A origem dos mitos não é conhecida e se repetem em qualquer época e em qualquer lugar do mundo — mesmo onde não é possível explicar a sua transmissão por descendência direta ou por “fecundações cruzadas” resultantes da migração.O arquétipo, ao realizar seu caminho de humanização, estruturando a consciência em função de suas emergências simbólicas, seguirá por uma ou outra variante mítica.
A partir da mitologia e com base nos fundamentos junguianos entrevistamos Lord A, seguidor e praticante da “religião” pagã Strigoi, para entendermos os mitos e ritos que fundamentam esta prática pagã. Strigoi, segundo nosso entrevistado, quer dizer povo fluído e que, em grego, Strix quer dizer pássaro negro que voa na noite. Pesquisamos a etimologia da palavra strigoi em romeno que tem também outro significado, com duas acepções: “feiticeira, quando se trata de mulheres vivas”, e “fantasma”, quando designa homens que parecem mortos ou cadáveres que não se decompõem, seja porque possuem duas almas, um boa que deixou o corpo no momento da morte, enquanto a má permanece nele, seja ainda por que a alma voltou no seu invólucro carnal seis semanas, seis meses ou sete anos após a morte.
**Método**
Para a realização deste trabalho adotamos as seguintes estratégias metodológicas: Realização de leituras críticas semanais do texto acrescido a comentários pessoais; (portanto, revisão bibliográfica também)Utilizamos nos da entrevista para realizar a discussão; realizando articulações entre as teorias junguianas e as práticas religiosas.
**Discussão**
Nosso relatório de conclusão de estágio foi o de pesquisar e analisar os mitos que sustentam uma prática religiosa, o grupo decidiu discorrer sobre a singular experiência que na maioria das culturas valorizam e se guiam através de seus diversos ritos e mitos que lhes permitem se inserir no mundo “separado”, transcendência.A experiência do sagrado é uma das vivências mais significativas para a existência humana, pois ela consegue lidar com o mistério, com a finalidade de iluminar o vazio e a distância que sentimos com relação a tudo o que a lógica formal não consegue sustentar. A religiosidade é a via que possibilita a passagem do profano para o sagrado, por mais que muitas coisas fujam de nosso controle.Jung, partindo da hipótese dos arquétipos, propõe que a alma humana deve ter uma possibilidade de relação com a divindade, isto é, forçosamente ela deve ter algo em si que corresponda ao ser Deus, pois de outra forma jamais se estabeleceria uma conexão entre ambos. Esta correspondência, formulada psicologicamente, é o arquétipo da imagem de Deus.
Empiricamente, Jung concluiu que o arquétipo da imagem divina, mencionado acima, não é diferenciado do arquétipo do Self – em outras palavras, suas imagens não se diferenciam. Essas duas idéias apresentam-se sempre mescladas. Basicamente, o construto Self expressa na teoria de Jung a totalidade da personalidade global – como unidade na qual se unem os opostos constituintes da psique.
“É o arquétipo central da ordem, da totalidade do homem”
(Jung, 1975 p. 358)
A presença subjetiva do arquétipo (a própria experiência religiosa):
“é o sentimento da presença de um numen; isto é, o sujeito que se sentia preso por essa comoção vivia a fonte de sua experiência como uma presença psíquica extra-consciente, dotada do caráter especial do iluminado e do benéfico, mas também do estranho. Poder-se ia dizer que o fascínio da contemplação religiosa, o que essa experiência proporciona é caminho para a totalidade, uma integração ego e si-mesmo. O ego é um dado complexo formado primeiramente por uma percepção geral do nosso corpo e existência, e a seguir pelos nossos registros de memória.Tal conceito representa a meta, o fim último da personalidade, em forma de processo: “tornar-se um ser único, na medida em que por ‘individualidade’ entendermos nossa singularidade mais última e incomparável, significa também que nos tornamos o nosso próprio si-mesmo [Self]” (Jung, 1928/1981, p. 266).
Pode-se evidenciar por diversos fatores que a função religiosa é polimorfa, mas no aspecto psíquico e simbólico ela teria uma função de desdobrar a consciência, que é limitada e restrita e com as imagens e ritos religiosos a “ampliação” de consciência é possível.Jung chega mesmo a colocar os arquétipos como fundantes da religião:
“… as idéias religiosas na realidade psicológica não se apóiam unicamente na tradição e na fé, mas totalidade, que coloca como manifestas experiências imediatas do eu interior e processos vivos no inconsciente que são caracteristicamente numinosos”
(Frey-Rohn, 1991, p. 268).
Nós humanos, pensando com base na perspectiva de religiosidade em Jung, independente da prática religiosa ou mesmo não seguindo nenhuma religião, a experiência do sagrado é buscada, até mesmo no profano, por exemplo, quando estamos vislumbrando o nascer do sol, ou observando as estrelas nos sentimos numa total sintonia com o todo circundante, como na imagem da mandala.Com relação ao tempo sagrado e profano, a religião também tem como função nos inserir num estado atemporal e infinito, visto que o tempo, como descrito na mitologia, Cronos o soberano do universo e o pai que devora os próprios filhos, ou a busca de uma reconciliação com os dentes afiados do tempo.
**Strigoi**
O Círculo Strigoi é um grupo de elite autônomo e soberano, que oferece informação, treinamento e irmandade para pessoas que apreciam a vastidão nomeada de “Cosmovisão Vampyrica”. Entre nossos principais valores estão a beleza, a fluidez, a honra e o dionísiaco. Somos politeístas, acreditamos que o tecido da realidade em todos seus fiamentos, é composto por incontáveis miríades que existem em constante processo de ajustamento e equilíbrio – cujo as relações, movimentos e as transmutações dentro de seus próprios contextos foram nomeadas ao longo da história humana desde a antiguidade clássica.E através de seus relatos em mitos, ritos, artes, danças e outros – podemos compreender, vivenciar e resgatar valores e sabedorias que estão demasiadamente em falta na cultura dominante.
Em nossa abordagem prezamos a expressão contemplativa e pugilística, no que tange a arena do verbal. Priorizamos a cultura do pudor em relação à cultura da culpa. Valoriza o dionísiaco e a sedução dos sentidos como via de ampliar a espiritualidade das mulheres e homens que vem a integrar seus círculos.Entre